‘Daqui a pouco os médicos têm que decidir quem vai morrer e quem vai viver’, alerta Sindmed-AL

O cirurgião-geral Marcos Holanda Pessoa alertou para um cenário onde os próprios médicos têm que decidir quem vai ter atendimento prioritário, caso o sistema de saúde entre em colapso.


Reprodução/Redes Sociais

O aumento dos casos e mortes pela Covid-19 em todo o Brasil tem assustado a população de todos os estados. Para tentar frear o avanço do vírus, o governador Renan Filho decretou nessa semana que Alagoas retorne à fase amarela por sete dias.


Médico e presidente do Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed), o cirurgião-geral Marcos Holanda Pessoa alertou para um cenário onde os próprios médicos têm que decidir quem vai ter atendimento prioritário, caso o sistema de saúde entre em colapso.


“Tenho certeza que nem o governador e nem o prefeito querem fechar a cidade ou bares e restaurantes, atividades econômicas, isso é o que gera impostos. Mas quando chega numa fase dessa, onde se tem limite, daqui a pouco joga nas mãos dos médicos para a gente decidir quem vai morrer e quem vai viver, quem vai para o respirador e quem não vai”, desabafa.

“Tive um depoimento de uma colega, que estava com 21 pessoas aguardando para serem internadas lá no Arthur Ramos e não tinha vaga. Na Santa Casa já está havendo restrição em relação às cirurgias eletivas. Na sexta-feira, uma paciente que operei teve dificuldade, a cirurgia marcada para as 8h veio começar quase meio-dia, porque demorou para ter uma vaga. O hospital está cada vez se restringindo mais”, relatou o médico.


O cirurgião-geral também cobrou que a população e as próprias autoridades tenham consciência e respeitem as recomendações sanitárias.


“Da forma que as coisas estão acontecendo, onde não se tem respeito às medidas de distanciamento, uso de máscara, álcool e muitas das autoridades, que deveriam dar exemplo não dão, o governador tem que tomar algumas medidas restritivas, haja vista que nossos hospitais estão quase todos lotados, desde a rede pública à rede privada”, disse o médico, frisando que agora os pacientes estão passando mais tempo internados em recuperação.


“Sem contar que os pacientes que ficam na UTI, vítimas de Covid, são pacientes que demoram muito a sair, principalmente idosos e quem tem comorbidades. Terminam caminhando para fazer, muitas vezes, diálise. Pacientes idosos com dificuldade de se recuperar, até para recuperar o físico e o peso… São pacientes que demoram mais para sair. Um amigo agora, que esteve uma semana intubado, passou quase um mês para poder sair do hospital. Saiu da UTI com duas semanas, mas passou mais 15 dias para poder sair do leito. Já teve outro (paciente) que passou 75 dias. Não é fácil”, contou.


Ainda de acordo com a opinião do presidente do Sindicato dos Médicos de Alagoas, se a sociedade não tomar as medidas necessárias, o estado pode caminhar para um lockdown, termo em inglês utilizado para o fechamento de comércio, atividades não essenciais e proibição de circulação de pessoas nas ruas sem motivo justificável na pandemia.


“Veja o que está acontecendo nos países da Europa. Portugal, Alemanha, Espanha restringiram com força, lockdown total. Aí você vê em relação aos outros lugares, termina que caminha para o lockdown porque não tem jeito. Espero que não cheguemos a isso, mas se o pessoal continuar desrespeitando, acho que a gente vai terminar caminhando para isso. Não é à toa que estamos beirando as duas mil mortes a cada 24h (no Brasil), e aqui em Alagoas também estão aumentando os números. Inclusive nos interiores, que da vez passada não tinham tanto (casos) mas agora estão pipocando”, observou Holanda.


Dados no Brasil e em Alagoas

O consórcio de veículos de imprensa divulgou na última sexta-feira, 5, que 1.760 pessoas morreram por Covid no balanço feito a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde em 24h. O G1 informa que a média móvel de mortes no Brasil nos últimos 7 dias chegou a 1.423, esta ainda em alta e com novo recorde – é a maior desde o começo da pandemia.

Em Alagoas, 530 novos casos e 13 mortes foram registradas no último boletim da Secretaria de Estado da Saúde. O estado soma 134.949 casos confirmados e 3.073 óbitos por Covid-19 em um ano de pandemia. O boletim atualizado com a ocupação diária dos leitos exclusivos para Covid-19 mostra que até ontem, 06, Alagoas tinha 81% de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ocupados.


Fonte: TNH1

0 comentário