“Combustível poderia ser, no mínimo, 15% mais barato”, diz Bolsonaro

Após troca no comando da Petrobras, presidente lançou dúvidas sobre a qualidade do combustível e a fiscalização dos órgãos de controle.


Foto: Isac Nóbrega/PR

Um dia após anunciar substituição no comando da Petrobras, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse que o combustível no Brasil poderia ser, no mínimo, 15% mais barato. Ele colocou em xeque o funcionamento dos órgãos de fiscalização e controle e disse não ser possível aferir a qualidade do combustível.


“Hoje em dia eu acho que a gasolina, o combustível, poderia ser, no mínimo, 15% mais barato, se todos os órgãos estivessem funcionando. Quem são todos os órgãos? Os órgãos de fiscalização ou de colaboração para fiscalizar”, afirmou em uma live no Instagram do filho Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

Entre os órgãos citados pelo presidente estavam Petrobras, Ministério de Minas e Energia, Receita Federal e Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).


O presidente cumpriu agenda neste sábado (20/2) em Campinas (SP), onde participou de uma cerimônia de novos cadetes do Exército.


Segundo Bolsonaro, existe uma “caixa preta” na formação dos preços de combustíveis, porque o consumidor não consegue discriminar os valores que compõem o preço final.

“Agora uma pergunta a vocês: você sabe que quando você coloca seu combustível no carro você não tem certeza se tem marcando 30 litros lá no visor da bomba, se tá entrando 30 litros, não sabe a qualidade desse combustível. Quando você pega a nota fiscal você também não sabe quanto de imposto é federal, quanto é estadual, quanto é a margem de lucro dos postos e quanto se paga também na questão da distribuição. Você não sabe de nada, é uma caixa preta.”

Na noite de sexta-feira (19/2), o mandatário anunciou que irá substituir o atual presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, pelo general Joaquim Silva e Luna.


O anúncio do quarto reajuste no preço dos combustíveis pela Petrobras, na última quinta-feira (18/2), foi a gota d’água para a saída de Castello Branco. Pressionado especialmente pelos caminhoneiros, o presidente da República vinha dizendo que haveria mudança na estatal.


Interferência na Petrobras

O mandato de Castello Branco se encerra no dia 20 de março e a expectativa era de que ele seria reconduzido ao cargo. A troca anunciada pelo chefe do Executivo suscitou acusações de interferência na estatal.

“Não houve qualquer interferência na Petrobras, tanto é que continua esse reajuste de 15%. Você que diga se é abusivo ou não. E espero que até o dia 20, que é quando vai, de vez, sair esse atual presidente, ele não vai querer mais dar um percentual de reajuste no diesel e na gasolina”, negou Bolsonaro.

O presidente, que é crítico de medidas de isolamento social e uso de máscaras, ainda julgou Castello Branco e a diretoria da estatal por estarem trabalhando de casa desde o início da pandemia


“Uma curiosidade: vocês sabiam que desde março do ano passado o presidente da Petrobras está em casa, assim como toda sua diretoria? Não dá para governar, estar à frente de uma estatal dessa forma, coisas erradas acontecem. O novo presidente, caso aprovado pelo conselho, espero que seja aprovado pelo conselho, vai dar uma nova dinâmica para a Petrobras”, salientou Bolsonaro.


“Vamos continuar sem interferir – transferência zero –, contudo, vai ter transparência e previsibilidade”, concluiu.


Fonte: metrópoles



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